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23/05/2013 / Paulo Wainberg

Impressões: Paris

Não há, em nenhuma língua do mundo, um adjetivo suficiente para qualificar Paris.

Sinistra, elegante, alegre, majestosa, intrigante, suja, efervescente, festiva, triste, maravilhosa, jogo estas palavras num grande recipiente, acrescento mais algumas e faço uma enorme massa em camadas e, ainda assim, não qualifico Paris.

De tudo que sinto quando lá estou e senti de novo nesta última viagem, separei palavras que expressam Paris no interior das minhas emoções e na flor dos meus sentimentos: Paris é avassaladoramente inspiradora.

A cidade, dourada da cor de ouro, inspira, traz à tona experimentos inconscientes que raramente aparecem, modelam a percepção, flutuam nos olhos e nos ouvidos, refletem no paladar, quase ao mesmo tempo e como uma avalanche incontrolável, escorrendo montanha abaixo.

Em Paris, num mesmo local, qualquer um, você se sente eufórico e melancólico, vibrante, orgulhoso, justificado, entristecido, emocionado, sugestionado, fazendo com que você deseje ser um artista, um mendigo, um andarilho, um apaixonado, um revoltado, um injustiçado, um ser completo.

O francês flutua nos ares de Paris e, como música ambiental, acalma e agrada.

Do meu hotel eu via as duas torres de Notre Dame, a cúpula do Palais de Justice e a agulha da Saint Chapelle. E se você for turista de primeira viagem, pode descer ao calabouço do Palais de Justice e entrar nas celas de onde Maria Antonieta e Louis XVI foram retirados, rumo à Guilhotina.

Sobre uma das pontes do Sena, você quase consegue ver  Filipe o Belo, o rei de ferro, numa das janelas de Louvre, sendo amaldiçoado por Jacques de Molays,   que ardia na fogueira.

Você pode sentar num dos milhares de cafés com suas pequenas mesas redondas, pedir um expresso e, durante horas, ver o povo de Paris passar pelos monumentos de sua cidade, L’Operá Garnier por exemplo, sem sequer erguer os olhos, porque para os parisienses Paris faz parte, nada surpreende e, além do mais, como qualquer morador da cidade que você, turista, está visitando, as maravilhas são para os nossos olhos, para o morador sobram as agruras normais da vida.

Porém, nem tudo foi evocativo na minha visita de turista. O prédio que foi construido para abrigar o Centro Cultural Georges Pompidou é uma das maiores aberrações arquitetônicas que jamais vi na vida, distoante da Paris dourada, uma miscelânea de futurismo pós-moderno sem qualquer senso estético.

Saí dali e fui me reconfortar em Monparnasse, para onde a geração dourada dos anos vinte e trinta se mudou, depois de esgotar Montmartre e, fiquei sabendo que Monparnasse assim se denominou porque os estudantes de Paris, sempre eles, e porque ali havia uma pequena colina, saiam das aulas e iam conspirar no que chamavam, quase em código, de ‘meu Parnaso”.

Vivi vários auges, em Paris, um após o outro e adorei retornar à Saint Germain de Près, à Place Beauvoir et Sartre e, durante longo tempo, tomar expressos com água mineral e até um sanduíche de baguete no Les Deux Magôts, onde a existência foi construída e desconstruída, feita e refeita, novamente desfeita e, até hoje, bem ou mal, aceita.

Falar sobre Paris é cometer redundância após redundância, mas não vou esquecer Le Musé d’Orsay, construído onde antes era um porto do Sena e para onde foi transferida a grande coleção impressionista que, antes, ficava no Jeu de Pomme.

E é só, porque Paris é a soma de todas as emoções e não tenho mais espaço interior para respirá-las.

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