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16/05/2013 / Paulo Wainberg

Nova teologia

Impressionado com a verdadeira teologia do empreendedorismo e seus adereços, planejamento e gestão. Estamos num mundo em que o sucesso é deus e o fracasso é o diabo, o que não é nada de novo, visto que o bem e o mal andam juntos, lado a lado e quase sempre de mãos dadas. Não ser empreendedor é um rótulo incapacitante, quase igual ao de vagabundo. E as relações humanas ficam mais críticas e frias, mede-se o indivíduo pela sua capacidade de empreender e ai daquele que fracassa no empreendimento, faltou-lhe planejamento e gestão e, com essas palavras explica-se tudo.
Somos cada vez mais julgados, absolvidos ou condenados, nunca perdoados. O erro não é mais humano, é o fracasso do investimento, a tragédia da insuficiência, o desastre pessoal.
No meio disto tudo eu pergunto: E onde ficam a amizade, o amor, o impulso, a arte e a paixão? Porque os que vivem esses sentimentos, é uma pena, empreendedores não são.

2 comentários

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  1. Aloísio Svaiter / Maio 19 2013 20:54

    “Estamos num mundo em que o sucesso é deus e o fracasso…”

    Não estamos.
    Sempre estivemos.
    E desde os tempos bíblicos,
    Naquela época – conta a Bíblia – dois empreendedores, Abel, do ramo de criação de ovelhas e Caim especializado na agricultura, disputavam o mesmo Cliente.
    Coube a Abel a melhor percepção de mercado e faltou a Caim uma estratégia de aproximação na oferta dos seus produtos.
    Caim saiu derrotado, não porque fosse um mal administrador, (ele até produziu frutos), mas porque não se preocupou com a demanda daquilo que oferecia, erro aliás muito fundamental em qualquer empreendimento.
    Acabou matando Abel, estratégia mais improdutiva ainda, que resultou na quebra de confiança do Cliente.
    A pena que lhe coube foi a que atinge até hoje todos os empreendedores mal sucedidos:
    Não a morte física, pois o Cliente é ético nos seus princípios, mas a rejeição definitiva do mercado e o desprezo de todos que o cercavam.
    Portanto, as regras para os que ousam empreender é esta mesma e nunca mudou:
    Em caso de sucesso, cabem todas as benesses divinas e em caso de fracasso ganha-se o rótulo incapacitante.
    E quanto a isso não há perdão mesmo.
    Caim que o diga.

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  2. Paulo Bentancur / Maio 22 2013 10:21

    Nossa, um soco no fígado. Já a partir do título, irônico. E o desfecho, como sempre, pondo a pá de cal sobre o feliz leitor, derrubado pelo teu talento. Ou ressurrecto, tanto faz. Parabéns!

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