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18/04/2013 / Paulo Wainberg

Apaixonado

Um bom dia apaixonado, e já vou avisando, quando estou apaixonado sai de perto porque ninguém me segura, sou mais eu e não abro.

Minhas paixões são relampejantes, costumam durar o tempo de um relâmpago e fazem o barulho de um trovão à distância.

Quando fico apaixonado nenhuma significância lacaniana, nenhum inconsciente freudiano, nenhuma explicação neurolinguística é capaz de ofuscar meu holofote que ilumina a estrada mais escura, a noite mais negra, o buraco mais fundo.

Quando estou apaixonado nem me interesso pelo significado da vida e bombas terroristas são assunto alheio.

Quando estou apaixonado, sigo-me, persigo-me, conjugo-me, chovo-me, quero-me com a força e a intensidade jamais atingida, inatingível pela própria natureza, como quem sai de dentro sem ir para fora, como quem acaricia sem fazer um gesto, como quem beija sem mover os lábios.
Quando me apaixono derrubo as esperanças alheias, surfo em meu sangue quente, mergulho nos meus fluidos mais doces e suaves e transformo meu olhar num raio que irá atingir, ao longe, quem não está preparado para mim.

One Comment

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  1. ALOÍSIO SVAITER / Abr 21 2013 13:07

    Sensacional, Paulo.
    Um lindo e perfeito texto.

    Gostar

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