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24/03/2013 / Paulo Wainberg

Eras

Bom dia para contar que fui fazer o passaporte na polícia federal e, por engano, levei a carteira de identidade cuja foto é a cara que eu gostaria de ter hoje. Expedida em 1977 eles não poderiam mesmo aceitar o documento porque, por motivos óbvios, são rigorosos e cumpridores das normas. Por sorte consegui, a tempo de cumprir o horário marcado, a carteira atual que, posta ao lado da anterior, produziu um choque de realidade não por causa da autal e sim devido a antiga que, como um colorado se divertindo à custa de um gremista, me dizia: Você já foi assim! Assim, jovem, com a vida para viver, com tudo pela frente e com um passado que, vá lá que seja, me condenava pouco. Ressalto que a gentileza dos agentes federais é de tirar o chapéu, delicados e atenciosos, trabalhando como quem gosta do que faz. Saí de lá e fui na ótica mandar fazer um novo par de óculos. Antes que o vendedor me mostrasse alguma coisa, mostrei a identidade antiga para ele e pedi uma armação que me deixasse com aquele rosto. Ele me olhou e disse que eu fosse falar com o Papa, que milagre não era com ele. Restou-me o conforto de saber que, quando eu tiver noventa e cinco anos e olhar para minha identidade de hoje, pensarei a mesma coisa.

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