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10/03/2013 / Paulo Wainberg

Confissão de fé

Sou ateu, mas tenho fé.

Ainda há poucos anos, disfarçando meu deboche em brincadeira, costumava com arrogância e falta de educação desfazer das pessoas que seguem preceitos religiosos e acreditam em Deus, sem me dar conta que nada me autorizava a fazer aquilo.

Era o tipo do desrespeito que machuca e ofende, porque ataca a convicção alheia, provoca mal estar e  é próprio dos que se sentem superiores aos demais.

Provavelmente eu me sentia assim, superior por ser ateu, com direito a menosprezar aqueles que não são.

Isto me fazia um ser menor, desprezível pela própria condição, e só não perdi amigos porque eram amigos e souberam relevar aquelas atitudes, até porque nem eram tão frequentes, só surgiam em épocas de feriados religiosos.

Quando percebi o que estava fazendo, nunca mais fiz. E se estou em alguma festa religiosa, respeito os ritos, participo das ações e silencio, solitário, em momentos de oração.

Adotei apenas uma atitude, porque continuo convencido de que as religiões e as tradições são as principais causas dos males da humanidade, principalmente as guerras, os preconceitos e suas perseguições.

Já escrevi muito sobre isto e não vou me repetir.

Sou ateu porque tenho a impossibilidade subjetiva de acreditar num ser criador a quem nunca vi nem tive qualquer sinal de sua existência e, mesmo assim, a quem deveria respeito, obediência e adoração.

Meu ateísmo não é uma saga nem uma prédica, não desejo converter ninguém e muito menos espero seguidores. Meu ateísmo não um partido nem faz política, meu ateísmo resume-se a não acreditar na divindade religiosa, ritualista e dogmática.

Aos meus olhos as religiões constituem mais outro grande negócio comercial que se mantém e sobrevive graças ao trabalho de seus profissionais.

Porém, tenho fé na inteligência que nos faz conscientes das nossas emoções, dos nossos desejos, das nossas satisfações e das nossas dores.

Tenho fé na palavra, na linguagem que nos perpetua e na Arte que nos diviniza e tenho fé no Universo que não nos explodirá e, assim, não nos transformará em pó e a tudo que fomos e somos.

Tenho fé na nossa humanidade, que nos gera compaixão, gratidão, humildade, ambição e curiosidade.

Tenho fé nas qualidades que nos fazem amar e ter saudades.

Sou ateu, sim, mas tenho fé.

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One Comment

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  1. Paulo Bentancur / Maio 22 2013 10:42

    Puxa, esta eu assino embaixo. Pena que não fui eu que escrevi, rsrsrs. Mas não sou invejoso. Fico feliz porque, mais uma vez, vais direto ao alvo da questão, à essencialidade de temas emblemáticos. Por isso tenho tanta fé em ti, Paulo escritor e ser humano. E só em pessoas como tu é que posso ter fé, uma vez que, afinal, sou ateu também.

    Gostar

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