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28/02/2013 / Paulo Wainberg

Mais paixão

Não sei se era nostalgia ou melancolia, acho que os dois acinzentavam o ambiente de um por de sol abstrato na tela de um pintor cubista, exposta num museu inexistente naquele instante e existente no instante seguinte.

Museus são assim, não existem e, sem mais nem menos surgem do nada e invadem a realidade sem pedir licença, mostrando relíquias e coleções que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.

O mesmo acontece com pintores cubistas, seres esdrúxulos e desesperados, fingindo que seus sentidos são destorcidos para que a deficiência e fragilidade emocional venham à tona, quando ninguém esperava e que, depois, ninguém entende.

Quanto ao por do sol, apesar da beleza das cores, é inevitável que seja nostálgico e melancólico, porque assim como os museus e os pintores cubistas, não existe e de repente está ali, inundando o espectador de saudade e tristeza, saudade de um dia qualquer que já se foi, tristeza por um dia qualquer que nunca aconteceu.

Porém, de todas as coisas que não existiam e que aparecem do nada e passam a existir, a que mais gosto é a paixão, esta sim a transmutar a alma em um cavalo fogoso, suado e trepidante que conduz a donzela aos auges do prazer, da dor e do delírio.

A paixão não tem desígnios por mais que eu queira encontrá-los e quando não estou apaixonado, o que é a maior parte da minha vida, não sei mesmo se é nostalgia ou melancolia que me dá, diante de um por do sol qualquer, concreto ou abstrato.

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