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25/02/2013 / Paulo Wainberg

Lenda urbana pornofálica

Conta a lenda que numa pequena cidade, no interior de um grande país, a população masculina se divida entre fodedores e não fodedores.

Os fodedores fodiam todas e todos e os não fodedores não fodiam ninguém e por ninguém eram fodidos.

A rivalidade entre os dois grupos crescia a olhos vistos até que um dia, depois de uma bebedeira no cabaré dos não fodedores, armou-se a maior briga jamais vista na região.

O caso foi parar na câmara de vereadores onde a oposição era da ala dos fodedores e a situação da ala dos não fodedores que constituíam a base aliada do prefeito, um não fodedor nato e, no entanto, pai de cinco filhos que teriam sido produzidos por cinco fodedores da oposição.

Sim, porque a lado não fodedor da cidade era formado por cornos de nascença que, em razão de suas convicções políticas, não atendiam aos anseios de suas esposas, elas todas fodedoras, a única unanimidade da cidade.

Os debates foram acirrados, questões de ordem foram propostas, a honra do legislativo posta à prova e defendida com unhas e dentes pelos não fodedores, verdadeiros pilares da sustentabilidade da ignorância alheia que lhes permitia acumular as principais riquezas municipais.

Os fodedores queriam porque queriam apropriar-se daquelas riquezas, alegando que o povo soberano merecia compartilhar das benesses da fodeção geral e que as elites não fodedoras ocultavam-se sob o manto de falsos moralismos, cinismo e hipocrisia.

Encerradas as discussões o tema foi para votação que resultou num empate, cabendo ao presidente da câmara, um não fodedor, o voto de minerva.

Para surpresa geral, ele votou com os fodedores e justificou seu voto dizendo que ser ou não ser um fodedor não passava de uma circunstância e que as circunstâncias são feitas para serem aproveitadas e que se fosse para o bem coletivo, para servir à comunidade e aos interesses da maioria, a partir daquele momento ele se transformava de não fodedor em fodedor e aí de quem surgisse na frente dele, iria direto para o sarrafo e o primeiro seria o filho da puta fodedor que tinha comido a mulher dele.

A partir daquele dia a confusão foi geral, ninguém era de ninguém e todos eram de todos, até que o dono do puteiro, um fodedor de estirpe e da elite, proclamou em alto e bom tom para toda cidade ouvir:

– Vamos organizar!

A mensagem foi rapidamente compreendida, comissões se organizaram e, em menos de uma semana, duas classes sociais se estabeleceram na cidade, ambas felizes e satisfeitas com a nova situação: Fodedores e Fodidos.

E viveram felizes para sempre.

 

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