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24/01/2013 / Paulo Wainberg

Crõnica do dia: O Agente Secreto

Terminava o último pedaço de pão com manteiga do café da manhã, mastigando adequadamente conforme o dentista ensinou, quando desabou sobre mim uma realidade tão intensa que quase desmaiei.

Percebi num átimo – tempo que levam as principais percepções – que não poderei ser um agente secreto.

Sim, o universo glamouroso dos espiões salvando o planeta, é inacessível para mim e o motivo é um só, porém determinante e definitivo: o telefone celular.

Imaginei a cena, depois de matar quatro assassinos profissionais, estou lutando para desativar uma bomba nuclear, faltam quarenta e cinco segundos para ela explodir, a linda espiã russa que já deixou claro que está a fim de mim está amarrada, em pânico, e eu ali, tentando decidir se devo cortar o fio vermelho ou o amarelo.

“Preciso de ajuda”, penso, e pego o celular no bolso do paletó.

É neste momento que a realidade invade a fantasia.

Não, não foi por causa da empregada que está cantando eu não sou cachorro não, bem alto, enquanto limpa o chão  com uma enceradeira barulhenta. Não, não foram os gritos da vizinha mandando o cachorro dela entrar imediatamente me deixando em dúvida se era mesmo o cachorro ou o marido dela.

Nada disso.

A realidade que invadiu minha fantasia foi outra, foi o momento de usar o celular.

Estou com ele na mão, minha testa molhada de suor, quinze segundos já passaram e:

a) Primeira Hipótese: O celular está sem carga, a mais provável pois estou nessa missão há uma semana e nunca botei para carregar.

b) Segundas Hipóteses: Como se faz para achar o nome de alguém nesta lista de contatos? Qual é o número de discagem rápida para o cara que sabe qual é o fio a ser cortado? O que significa essa frase na tela que diz wirless disponível? Onde está o lugar dos torpedos?

E, bum, a bomba explode e termina o filme.

Só de raiva como outro pão com manteiga e coloco o celular no carregador, vamos que um dia eu consiga atender esfregando todos os dedos na coisa verde que aparece na tela quando ele toca.

Sua Majestade Real terá que me perdoar, nunca estarei a serviço dela.

Concluindo meu exaustivo café da manhã, reflito sobre tudo e me ocorre que até hoje eu não acredito no funcionamento da televisão, mas minha neta acha que ela faz parte da natureza.

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