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27/12/2012 / Paulo Wainberg

Comprar óculos

Quando Haroldo precisou usar óculos, Clarinha disse que ia com ele na ótica.

Haroldo experimentou mais de vinte modelos, Clarinha não gostou de nem um dos que ele gostou e ele não gostou de nem um dos que Clarinha gostou.

Era um homem, o vendedor, e Haroldo percebeu que ele se aliava à Clarinha, aceitando todos os comentários dela sobre os óculos que ele gostava:

Clarinha: Este nem pensar! Você ficou com cara de fuinha.

Vendedor: É, ele encolhe seu rosto.

Clarinha: Experimenta este aqui, você tem o rosto largo, os óculos não podem ser pequenos.

Haroldo experimentava e aí sim, achava que ficava com cara de fuinha.

Obviamente, acabaram comprando os óculos que Clarinha escolheu, coisa que Haroldo sabia que ia acontecer desde o momento em que saíram de casa.

O argumento final, decisivo e contra o qual ele nada pode contrapor, foi quando Clarinha falou, com sua típica voz de irritação anunciando o conflito iminente:

Clarinha: Haroldo, você está precisando de óculos porque não está enxergando direito, você está ficando cego Haroldo! Você mal vê o que está na ponta do seu nariz! Como é que você vai saber o que fica bem em você? Moço, nós vamos levar este aqui.

De volta, no carro, Haroldo falou baixinho, para Clarinha não ouvir muito, num tom de criança emburrada:

Haroldo: Se eu posso enxergar para dirigir…

Clarinha: Chega, Haroldo!

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