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17/12/2012 / Paulo Wainberg

A nova espécie

Ao contrário do que se pensava, o fim do mundo não foi a destruição do planeta e do sistema solar. Apenas a vida humana desapareceu, como se uma varredura de raios cósmicos calcinasse as pessoas.

Claro que, para a espécie humana de então, foi o fim do mundo, não havia mais inteligência racional e, portanto, tudo o que continuou existindo, para os humanos, deixou de existir.

A lógica e seus paradoxos perdeu o significado e sua influência nas demais espécies, incluindo os reinos animal e vegetal, que foram obrigados a se virar sozinhos, sem a interferência de uma única pessoa.

Estranhamente, para os parâmetros humanos, elas conseguiram, o reino vegetal permaneceu cada vez mais florido, colorido, denso e produtivo, as frutas davam ao natural e serviam de alimento a dezenas de animais que, igualmente, continuaram existindo sobre a face da terra.

Muitas espécies, ameaçadas de extinção, realmente se extinguiram, provando que o fenômeno não era causado pelo Homem e sim pela própria Natureza, que é implacável com os seus ciclos.

As cidades, com o passar dos séculos, foram absorvidas pelas florestas, toda edificação em concreto, cimento e aço desapareceu e o nome Oscar Niemeyer perdeu-se no esquecimento das Eras.

Desapareceram as cidades, pontes, estradas, os carros viraram pó de ferrugem e depois alimento para certas plantas, bibliotecas, discotecas, pinacotecas, inclusive um famoso quadro de Velasquez, perderam o sentido e qualquer significado que, outrora, pudessem ter.

Milhões de volumes da Bíblia Sagrada, Velho e Novo Testamento, foram rapidamente consumidos por traças ávidas, baratas vorazes e cupins implacáveis, seu ensinamentos perdidos, para sempre, naquilo que se designou chamar a poeira dos tempos.

Não mais se ouviu falar em tarifas e juros bancários, a corrupção foi varrida do planeta e a psicanálise entrou numa depressão profunda, que nem Freud conseguiu explicar.

O planeta Terra, devolvido assim aos seus habitantes, acompanhou o Universo em sua intransigente expansão, e nossos mares entraram novamente em ação, fazendo com que algas cruzassem com amebas gerando filhos curiosos com a luz lá de cima.

Os séculos passaram, a evolução seguiu seu curso e chegamos aos tempos atuais e a atual Civilização, constituída de um único povo.

Pesquisas arqueológicas e interpretações permitiram aos nossos sábios compreender um pouco daquelas pessoas que habitaram o Planeta até o dia em que se deu, como resolvemos denominar, a Grande Limpeza.

Morfológicas semelhanças entre nós e os desaparecidos, são notáveis, porém algumas diferenças são essenciais e uma delas fundamental, graças a qual podemos viver, construir e usufruir do planeta, em doce paz e permanente crescimento.

Todos os estudos comparativos permitem concluir que o ser humano varrido da face da Terra pela Grande Limpeza criou um complexo sistema de conquista, guerra, violência e ódio graças a um detalhe anatômico que a nova evolução suprimiu.

Com efeito, na nova raça humana que emergiu, após a Grande Limpeza, as mulheres não possuem hímen.

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