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28/11/2012 / Paulo Wainberg

Nós e os outros

Os outros nunca somos nós, por isto nós somos os outros, para os outros. Os outros são eles, para nós, e nós somos eles para os outros.

Diante dessa singela constatação, é fácil compreender porque vivemos tanto em função dos outros. É que eles, os outros, também vivem em função de nós, que somos os outros para eles, isto é, se nós nos preocupamos com a opinião dos outros sobre nós, os outros também se preocupam com a nossa opinião sobre eles.

Abstraindo nossa presença nessa dualidade, quer dizer, olhando a coisa de fora, a conclusão inevitável é que só existem eles, neste mundo, incluindo nós que, para eles, somos também eles.

O que se pode esperar de uma civilização composta exclusivamente da terceira pessoal do plural?

A antítese também pode ser verdadeira, porque se nós somos nós, isto é, o sujeito da frase, os outros são eles, o objeto direito (eu acho).

Ou, na matemática, formularmos uma expressão: Os outros estão para nós assim como nós estamos para os outros: Os outros : para nós :: como nós estamos para os outros.

No campo das importâncias e relevâncias, os outros são indispensáveis para nós, se os outros não existissem, de que adiantaria sermos nós? Para quem contaríamos nossos feitos, nossas vanglórias e nossas tragédias. E, ipso facto, nós também somos indispensáveis para os outros que, sem nós, teriam o mesmo vácuo existencial.

Já na linha da especulação e da psicologia aplicada, quando os outros não gostam de nós, saímos por cima como se os outros estivessem por baixo e o que vem de baixo não nos atinge? Ou vamos correndo atrás dos outros para conquistar o gosto deles?

Entre nós e os outros há um tênue linha, como se fosse um tracejado sombrio num quadro de, sei lá, Gabrielli ou Fortunatti, artistas totalmente desconhecidos por nós e pelos outros.

Que linha é essa? Uma linha separatista, não há dúvidas, é fundamental que nós estejamos separados dos outros, se nós e os outros estivéssemos juntos seria impossível distinguirmos uns dos outros e Freud, por exemplo, jamais teria existido.

Sob o impacto de uma visão otimista, acho que nós e os outros temos tudo para dar certo desde que nossas vozes sejam ouvidas pelos outros e possamos ouvir as vozes dos outros, se eles resolverem falar alguma coisa.

Caso isto aconteça, ouvidas as respectivas vozes, ou partimos para a guerra ou saímos no abraço.

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