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21/09/2012 / Paulo Wainberg

Mais uma carta ao Osmar

Osmar, para quem ainda não sabe, é o meu correspondente que não responde nem corresponde. Sei que ele tem sessenta anos, trocou a cerveja pelo uisque porque, segundo ele, cerveja incha, solteirão convicto, não é gay, barrigudo e adora batatas fritas.

Jamais respondeu minhas cartas e seria uma experiência metafísica se respondesse, visto que ele não passa de uma invenção minha.

Mas, vamos à carta.

Querido Osmar.

Escrevo novamente, esperando sua resposta e, como sempre, sabendo que ela não virá. É que nos últimos dias venho atormentado por uma dúvida e, talvez, você tenha a resposta.

Por que as pessoas passam o tempo todo definindo palavras como felicidade, amor, viver, sonhar, amar, sorriso e outras?

A impressão que dá é que cada um sabe, por exemplo, que viver é aproveitar o que a vida tem de melhor, ou que a felicidade é acompanhar dois gatinhos brincando com dois cachorros.

Mas, querido Osmar, estamos cansados de saber que não é nada disso. Quando surge alguém capaz de aproveitar o que a vida tem de melhor, ele é logo chamado de malandro, vagabundo, cafajeste, preguiçoso, bon-vivant no sentido pejorativo. Jamais ouvi um elogio para quem vive nessas condições.

Muito ao contrário, leio em qualquer lugar, que o trabalho é o fundamental da vida, mas está longe de ser o melhor. As pessoas se queixam do trabalho e, quando não tem trabalham, se queixam por não ter nada o que fazer.

Eu já vi cachorros e gatos brincando e convivendo e, nem por isto me senti feliz, não achei que tal cena fosse o estado sublime da felicidade. No máximo achei bonito, curioso e divertido.

Quando dizem que o verdadeiro amor é nada esperar e tudo dar, ou que aquele que te ama de verdade aceita você sem ressalvas, tenho frouxos de riso, juro!

Por que, Osmar, por que as pessoas precisam de fórmulas definitivas para explicar sentimentos que, em geral não conseguem ter, ou que tiveram e já perderam?

Mais do que isso, por que essas pessoas querem me convencer que essas fórmulas são verdadeiras? O que elas ganham com isso?

Existirão, por acaso, organizações internacionais interessadas nisso, em me convencer dessas verdades? Talvez seitas da felicidade e do amor que descobriram as definições através de contatos diretos com Deus?

Eu, logo eu que acho que essas são questões individuais e não coletivas, vivo assediado por frases definidoras, mais inúteis do que o jornal de ontem.

Ajude-me, caro Osmar, faça alguma coisa por este seu fiel escrevente e, se não fala comigo, fale com eles, peça que parem, que me deixem viver do meu modo, ser feliz como posso, que ame como quiser e que não tenha que me preocupar em saber se estou triste ou deprimido quando tiver algo me incomodando.

Aceite, Osmar, meu forte abraço, extensivo a todos os seus.

2 comentários

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  1. Susana Freitas / Set 21 2012 19:17

    Ja falaste de mim para o oscar? Sabe, gostei dele.Eu cá tenho o Dr. Sérgio.É Psiquiatra.Há muitos anos nós o inventamos lá emGaropaba. Nos bons tempos de vagabundagem sem culpa e culto ao Ócio…Vez que outra ele tb pirava mas Gardenal não faltava pra malucada! Mas voltando a tua carta
    O Conteudo todo é fruto de uma mente insana como a tua e a minha ede quem mais nem sabemos.
    Resumindo: faz sentido. Beijo!

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  2. lista de email / Out 19 2012 10:09

    you are right in what you have said. i was only thinking this the other day but i think i will now dig a little deeper. lista de email lista de email lista de email lista de email lista de email

    Gostar

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