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16/07/2012 / Paulo Wainberg

Muitas divagações políticas

Opinião pública é mais ou menos o que a imprensa e mídia dizem sobre como o público pensa. O que não sabemos é se o público pensa o que pensa porque a imprensa e a mídia dizem, ou a imprensa e a mídia dizem o que o público pensa e ele acredita.

Parece confuso, mas não é.

A opinião pública fala mal dos políticos no mundo inteiro, isto é fato.

Outro fato é que os políticos do mundo inteiro dizem que a opinião pública é induzida pela mídia.

Quem está certo? Quem está errado?

Falando do Brasil, que é o que interessa no momento, ouvimos loas, louvações e apoteóticas defesas da ética na política, dignidade parlamentar, honra e similares atributos que, quando se trata de cassar um deles por falta de  decoro, os políticos adoram invocar.

A opinião pública não acreditou numa palavra dos honrados, éticos e dignos senadores que se pronunciaram. Nem a mídia.

Será, então, um extraordinário momento, no campo das comunicações humanas, em que a opinião pública e a mídia pensam exatamente da mesma forma, sem que um influencie o outro.

Penso que julgamentos políticos e julgamentos jurídicos são coisas bastante diferentes, com suas motivações e processos respectivos, e que não se podem confundir.

Qualquer político pode ser cassado por falta de decoro e ser absolvido no processo judicial. É assim e é bom que seja assim, porque a punição política é a perda dos mandatos e dos direitos políticos e a punição jurídica é de natureza indenizatória e de reclusão pessoal, isto é, prisão.

São provas distintas que são analisadas por distintos enfoques. Não é, portanto, nada estranhável que Collor que, hoje sabemos, dedicava-se à magia negra nos porões da Casa da Dinda, tenha sido cassado, politicamente, e absolvido, juridicamente.

Incorreu no delito político, por isto foi cassado. Não praticou delito criminal ou cível e por isto foi absolvido na Justiça.

Uma questão fundamental, entretanto, abala de morte esse sistema, perfeito na teoria: quando o julgamento jurídico é também político.

Quando o Supremo Tribunal Federal julga um político cassado, acusado por denúncias e provas formuladas pelo Ministério Público Federal, não como se fosse um cidadão comum e sim como um político influente – sublinho influente.

Quando isto acontece, e no Brasil costumeiramente acontece, seja pelo julgamento que absolve, seja pela simples falta de julgamento, levando à prescrição do crime, vê-se a intolerável situação de estar, a suprema corte do País, à serviço da classe política.

Não canso de repetir que, na democracia, vigora o reino do Judiciário, o Poder encarregado de aplicar a lei, nada mais, nada menos. A sentença final é lei irrevogável para aqueles a quem a decisão é dirigida. É o princípio ético basilar da Justiça, como instituição.

Ninguém é cem por cento ético, todos cometemos deslizes, dos mais comezinhos aos mais vultuosos. Ninguém escapa. E se alguém disser que escapa, esfrego, no mínimo, a Bíblia na cara dele.

Cassar um senador é uma satisfação à opinião pública que não satisfaz, porque os cassadores não possuem autoridade moral para tal. Tanto não possuem que o cassado da vez, Demóstenes, jogou isto na cara dos que estavam lá para cassá-lo.

O sistema processual brasileiro não tem condições operacionais mínimas para satisfazer a opinião pública com julgamentos rápidos e justos, transformando a Justiça no lodaçal onde cada movimento exige grande esforço e se dá com a lentidão com que podemos nos mover, enterrados no lodo até a cintura.

O resultado disto é que a opinião pública jamais é satisfeita, jamais o resultado de um escândalo deixa o público feliz e, por isto, vivemos com a eterna sensação de estarmos sendo passados para trás.

E, de novo, a opinião pública e a mídia concordam.

O fato é que  o Brasil está preso num círculo viciado, muito mais do que vicioso. As mudanças óbvias precisam ser feitas por quem comanda as ondas deste círculo viciado e tirar o País desta armadilha é coisa que seus beneficiários menos desejam.

Concluo dizendo que não é uma sensação, é um fato, estamos permanentemente sendo passados para trás.

Nós e, provavelmente, o resto do mundo.

 

 

 

3 comentários

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