Saltar para o conteúdo
06/07/2012 / Paulo Wainberg

Uma emoção

Hoje, durante um dos meus engarrafamentos favoritos, experimentei uma grande emoção. Comecei a ouvir Um Americano em Paris, de George Gershwin, que fazia muito que não escutava. Lembrei de uma colega de aula, no ginásio, por quem eu estava loucamente apaixonado, aos quatorze anos. Terminava a aula, no fim da tarde, e lá ia eu, o coração pulando, atrás de um jeito de me aproximar dela e, na última hora, desisitindo.

Chegava em casa e ia direto para a eletrola, justamente para ouvir Um Americano em Paris, minha descoberta da hora, me arrebatando com a música e pensando nela.

Quando um sinal abriu e andei alguns metros, parando logo em seguida, não evitei um sorriso, ao recordar que aquelas sessões terminavam, invariavelmente, no banheiro.

Contam, sobre Gershwin, que ele foi estudar regência e composição com Mendelsshon, na Austria. Depois das primeiras aulas, Mendelsshon perguntou quanto Gershwin ganhava, nos Estados Unidos:

– Em torno de cem mil dólares por ano – respondeu. E Mendelsshon:

– Acho que vou querer estudar regência e composição com você.

Depois lembrei do filme, com Gene Kelly, onde ele dança durante trinta e cinco minutos, a exata duração de Um Americano em Paris. Magistral.

Gershwin, quando visitou Paris, ficou alucinado com o som da buzina dos táxis, o que teria inspirado a composição. Na partitura original, há trechos marcados exatamente com as buzinas legítimas, que são reproduzidas na obra.

O engarrafamento foi andando, andando, até que cheguei na minha garagem e vim para o escritório, trabalhar os meus processos.

Mas não consigo, emocionado não paro de pensar naquela colega a quem, no fim das contas namorei mesmo. Um dia, no recreio, cheguei direto nela e perguntei:

– Queria te convidar para ser minha namorada.

Ela se espantou, ficou vermelha, deu um sorriso, olhou para os lados para ver se alguém tinha ouvido e me disse:

– Aceito.

E assim, oficialmente namorados, só tive coragem de falar com ela de novo dois dias depois. E, como era costume na época, além de mãos dadas e furtivos beijinhos, a paixão se extinguiu e o namoro terminou.

Não a vejo há mais de quarenta anos, ou cinquenta, já perdi a conta. Como estará ela? E onde?

Não sei e não vou procurar saber. É uma lembrança que a música me trouxe, nada mais.

Mas, me emocionei.

3 comentários

Deixe um Comentário
  1. claudia pechansky / Jul 6 2012 20:03

    É por isto, primo, que eu digo que a musica é minha religião pois me eleva à esferas inimagináveis da emoção! beijão e fiquei muito feliz de falar com a Aide hoje!!

    Gostar

  2. Analice / Jul 10 2012 9:52

    thanks for sharing your thoughts. take care.http://www.needpurpose.com

    Gostar

  3. Brígida / Jul 19 2012 12:20

    when i need to understand something i know that i will probably find it in here.http://www.casaemail.com.br

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: