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30/06/2012 / Paulo Wainberg

Meu pênis

Minhas primeiras conversas com ele foram ininteligíveis para mim. É que eu ainda não falava português e ele ainda desconhecia meus dedos.

Com o tempo fomos estabelecendo intimidade, encontramos um modo comum de contato.

Sei disto porque ele respondia a qualquer toque, por mais suave que fosse, sempre naquele jeitão dele, de ficar todo duro durante a conversa.

Não recordo o momento exato em que ele começou a se manifestar por conta própria, acredito que tenha sido por volta dos treze anos, logo após o meu barmitzvá.

Meus pais fizeram uma festa para comemorar, reunião dançante na minha casa.

Tirei uma colega para dançar e ele, sem pedir licença simplesmente enrijeceu. A menina pediu licença na hora e eu quase morri de vergonha enquanto ele fazia questão de mostrar-se, protuberante e exibido.

Fiquei perplexo, sem entender o que tinha acontecido, as meninas viravam a cara e os meninos, sorrateiros, apontavam e riam de lado, naquele tempo era tudo muito secreto.

Até então, na minha prepotência infantil, acreditava dominá-lo, como fazia com as mãos, pernas, pés e meu corpo. Ele se manifestava sob minhas ordens e, também sob elas, ficava quieto.

E agora, aquilo!

A partir daquele dia, nosso diálogo tornou-se áspero e conflitado.

Mais o tempo passava e mais independente ele ficava.

Naquele mesmo ano fui levado, não lembro por qual tio, para ter o que chamaram de uma experiência de verdade, eu tinha que conhecer uma mulher ou corria o risco de me afeminar.

Eu estava muito nervoso, não tinha bem clara a idéia do que iria acontecer e o que esperavam de mim.

Na minha santa inocência, não percebia que não era de mim que esperavam alguma coisa e sim dele.

Quando me vi, estava posto em ação, num quarto com uma mulher a quem nunca tinha visto antes e que usava um perfume adocicado, ruim, cujo cheiro jamais esquecerei.

Eu não estava gostando muito da situação, mas ele estava. E quando a mulher me puxou para cima dela, ele funcionou mesmo. Eu estava ali, mas quem trabalhava era ele.

Só fui gostar da coisa quando ele resolveu acabar com tudo e, se recolheu.

Não sei como descrever o constrangimento que senti, estirado em cima daquela mulher que me disse, baixinho, no ouvido:

– Bom trabalho, menino.

Eu só queria sair dali, a mulher me dava nojo e nem consegui tocar nele, sujo, o irresponsável: Como se atrevera a fazer aquilo sem me consultar?

Levei muitos anos para voltar a uma casa daquele tipo e quando voltei me senti tão mal que logo saí, aquela imagem da infância fixada na minha mente. Estava ali, a origem de um trauma?

Depois de muitos embates com ele, que eu sempre perdia, achei um recurso conciliador, que me vale até hoje.

Demorei a aceitar que ele tinha sua vontade própria e independente da minha. Quis sempre subjugá-lo, fazendo trabalhar quando eu queria ou impedindo-o de se manifestar, quando eu não queria.

Foram raras as vezes em que nossas vontades coincidiram, até eu aceitar sua independência e isto me colocou em difíceis situações em que eu tive que me explicar negativamente:

– Isto nunca me aconteceu antes.

Ou positivamente:

– Desculpe, não sei o que meu deu, você é linda demais.

Finalmente parei de afrontá-lo e decidi que, pelo método conciliatório, eu me dava muito melhor.

O método consistiu em nunca mais forçar a barra e só convocá-lo quando houvesse plena comunhão de nossas vontades.

Respeitar meu pênis, em vez de exigir respeito dele, foi a solução.

Desde então, estamos nos dando muito bem e isto já acontece há mais de trinta anos, salvo raríssimas exceções, quando as coisas não estão exatamente claras.

Quando isto acontece, a sabedoria que adquiri com a idade – e ele não – me dá recursos suficientes para o diálogo, seja com ele, seja com a terceira parte envolvida.

E somos felizes para sempre.

4 comentários

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  1. Comprar vimax no brasil / Jul 7 2012 19:35

    Isso é muito tenso… Principalmente alguem que nao dá abertura para vc conversar.

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  2. Vimax / Jul 7 2012 19:36

    Eu acho que vc amadureceu muito ao conseguir respeitar o seu penis, e nao exigindo respeito dele, pq é isso mesmo que deve acontecer.

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