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22/05/2012 / Paulo Wainberg

Alma feminina

Ninguém conhece melhor a alma feminina do que o canalha. E, porque dela se aproveita, é que é um canalha. Tendo marcado sua presa, o canalha se aproxima, investe, seduz e, quando a coisa começa a esquentar, ele avisa: “Olha, eu preciso dizer a você que eu sou um canalha. Vou me aproveitar de você, fazer tudo o que eu quero e depois, cair fora.” Com esta simples declaração, ela acabou de ganhar a menina. Porque a alma feminina é assim, cada mulher se considera capaz de redimir o pior dos pecadores, dispondo, como arma, de sua infinita capacidade de amar. Porque, apesar de coletiva, a alma feminina é extremamente individual e ela pensa, com a convicção de quem já foi cativada: “As outras não souberam corrigir este canalha. Como ele vai ver o que é bom, vou domar o cara, direitinho”.  Porque a alma feminina individual não acredita na capacidade de outra alma feminina, a garota que caiu no engodo se acha a única portadora da verdadeira alma feminina. Resultado: o canalha se dá bem, usufrui, aproveita, tira o que pode daquela alma e daquele corpo e… cai fora. E se, por acaso, algum dia pensar naquela alma destroçada que deixou para trás, sacode os ombros e diz: “Eu avisei, antes de começar”. E parte para a outra.

Alguns canalhas menos canalhas vão se dar mal na vida, no dia em que encontrarem uma alma feminina mais canalha do que ele. E, quando um canalha se dá mal, não ser mais abjeto, rastejante e humilde na face da terra.

Para redimir-se, jura para sempre abandonar a canalhice, promete nunca mais machucar outra alma feminina, entrega-se em desespero à alma feminina mais canalha do que ele e… se quebra em mil pedaços e, não raro, pode ser visto cambaleando pelas ruas, dormindo sob marquises e rastejando nas sarjetas, embriagado e sujo.

O cafajeste, por sua vez, não está nem aí para a alma feminina. Ele engana, mente, tripudia e se aproveita de tantas quantas entrem na sua órbita de visão, ao mesmo tempo e sem nenhuma piedade.

O cafajeste pertence ao nunca reduzido grupo masculino que vê, nas mulheres, apenas a satisfação de seus desejos e vaidades. Muitas vezes basta, ao cafajeste, a simples conquista, não se importando em consumá-la. Para o verdadeiro cafajeste, a beleza não importa, a presa pode ser linda ou horrível, o que ele quer é conquistá-la, vê-la submissa e implorando sua atenção e seu amor.

O prazer sexual do cafajeste é muito maior antes do que durante o ato, porque para o cafajeste que se preza, o ítem mais importante da estatística é o número de mulheres que conquistou e, em segundo lugar, quantas efetivamente levou para a cama.

Ao contrário do canalha, o cafajeste muitas vezes broxa. O canalha atinge o momento mágico de sua personalidade, transando com sua vítima. Para o cafajeste, este momento já foi superado pela conquista e, a transa, nem sempre é a consequência que deseja.

Canalhas e cafajestes têm, em comum, apenas o desprezo pelas mulheres. Eles simplesmente não se preocupam com o que elas sentem.

Dizem que as mulheres ficam excitadas com os cafajestes. Novamente a alma feminina redentora em ação: “Comigo vai ser diferente, ele não vai ser um cafajeste nunca mais.”

Ouso dizer, no capítulo Pegação das relações entre homens e mulheres, que no grosso, cafajestes e canalhas se dão muito melhor do que os homens sensíveis, bonzinhos, bem educados e respeitadores.

O risco maior deles – se é que isto é um risco – é chegarem à velhice sozinhos, quando seus encantos não encantam mais e sobram-lhes mulheres também envelhecidas a quem eles não desejam.

Felizmente, nos dias de hoje, as mulheres estão bem mais aparelhadas para enfrentar os assédios de canalhas e cafajestes, a alma feminina não é mais ingênua e passiva, o romantismo puro dos outros tempos transformou-se em abreviaturas da internet.

Canalhas e cafajestes ainda estão perplexos e a procura de novos instrumentos capazes de levá-los à vitória. Vão encontrar, com certeza, porque sempre haverá uma garota safada morando no mesmo bairro de um canalha e uma menina inocente levando seu poodle a passear na mesma praça onde um cafajeste brinca com seu doberman.

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