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14/04/2012 / Paulo Wainberg

O eu que não era eu

Sonhei que estava num mundo paralelo, onde eu era outra pessoa falando comigo. Essa pessoa era dona de uma lanchonete e estava me convencendo a comer um hamburguer com ovo e queijo duplo. Ela me olhava de um modo estranho, como se nunca tivesse visto alguém como eu. Eu, que não era eu, perguntava por que ela me olhava daquele jeito. E ela me respondia que eu era diferente de todas as pessoas que ela tinha visto. Diferente como? perguntei eu, que não era eu. Não sei dizer, respondia ela, mas você é diferente. Aqui está o seu hamburguer, bom apetite. Agradeci, abri meu umbigo e comi um pedaço. Com o tentáculo estendi o dinheiro e fui embora, eu que não era eu, caminhando lentamente sobre minhas quatro garras. A pessoa que era eu, mas que não era eu, coçou a cabeça e murmurou que aquele cara tinha alguma coisa diferente. Acordei louco de fome e aliviado por ter sido apenas um sonho. Fui até a cozinha, abri a geladeira, peguei um iogurte, abri meu umbigo e bebi tudo de uma vez.

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