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07/04/2012 / Paulo Wainberg

Pecados capitais: Gula

Para o papa Gregorio Magno, no fim do século VI, comer além das necessidades fisiológicas constitui-se no pecado capital da Gula.

Para a maioria dos médicos e nutricionistas modernos, também.

A Igreja e a medicina querem que nós, mortais pecadores, não ultrapassemos o limite da nossa fome e deixemos de lado aquela barra de chocolate, o sorvete e o filé com fritas, porque essas coisas não apenas matam a fome, elas dão prazer.

E, para a Igreja e religiões em geral e para a medicina fundamentalista, prazer é sinônimo de pecado.

Segundo o santo preceito, você não será um pecador se comer sua alface com um rabente e dois nabos, meio copo de água e, como sobremesa, uma colher de gelatina natural. Depois disto, pare, pense, examine-se e, se ainda estiver com fome, pode comer mais uma folha de alface. Porém, se estiver satisfeito e comer a outra folha de alface, Gula! O primeiro passo para arder eternamente no inferno acabou de ser dado.

Quanto mais velho fico, mais aumenta o acúmulo de minhas memórias e, fazendo uso delas, recordo de um considerável número de papas gordos, obesos. Imagino que eles jamais cometeram o pecado da Gula, provavelmente tinham uma fome superior que exigia grande quantidade de alimento para se extinguir.

Provavelmente, eu disse.

Está certo, reconheço que o pecado não está em gostar da comida e sim em comer demais. Concessão feita ao paladar, sem a qual não exitiria a culinária e as receitas da vovó seriam terminantemente proibidas.

No meu caso, sendo já um pecador da Luxúria, acrescento a Gula ao rol das minhas danações. É que parto do princípio de que fazer o fácil, qualquer um faz. Mas para ser superior, tem que fazer também o difícil.

Segundo esta ótica, quase um motivo de vida, considero que comer quando se está fome é fácil, qualquer um come, difícil é comer sem fome, repetir a lazanha, três bolas de sorvete com molho de chocolate, um belo sanduiche de pernil com mostarda forte na madrugada, cinco fatias de melancia, feijoada completa e uma garrafa inteira de vinho tinto, com pinhão, pipoca e lareira no inverno.

Eu encaro o desafio e vou fundo. E morro de rir vendo você mastigando oito vezes sua folha de alface, antes de engolir.

2 comentários

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  1. Jonelle Jann / Abr 10 2013 0:20

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