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20/03/2012 / Paulo Wainberg

O Papa e eu

Certos dias eu me sinto como o Papa. O homem, há mais de mil anos pede paz para o mundo e ninguém escuta. Eu, há décadas sugiro trocarem a ONU pela FIFA e ninguém me escuta.

Existe, portanto, uma afinidade sincera entre o Pontíssimo e eu: não somos ouvidos.

Se a FIFA comandar o mundo, as vantagens serão incontáveis. Em primeiro lugar, os conflitos entre países, Israel e Palestinos, por exemplo, serão resolvidos numa melhor de três entre as duas seleções de futebol. Havendo empate, prorrogação e penaltis. Nada de intermináveis reuniões, discussões, idas e vindas e adiamentos. A segunda vantagem imediata é que os Estados Unidos deixariam de ser a maior potência do mundo e o Brasil ocupará este lugar, por ser o País que participou de todas as copas e ganhou o maior número delas. E seguem as vantagens, toda a legislação seria substituida pelo caderno de encargos, que regulamentaria tudo. Nada de códigos, leis, processos, Justiça, advogados, promotores e, principalmente, juizes. As questões menores, dentro de cada país, como o crime, a convenção e as indenizações por perdas e danos seriam julgadas por um árbitro de futebol, com três penalidades previstas nas regras: advertência verbal, cartão amarelo e cartão vermelho. O cartão vermelho seria aplicado em casos extremos, pois representaria a perda da cidadania FIFA, que só poderia ser recuperada a muito custo. A FIFA seria representada, nos paises, pelos Federações e Ligas de Futebol, através do respectivo presidente eleito pelo voto direto dos clubes da primeira divisão. O mandato não teria prazo para terminar, salvo em caso de morte, quando nova eleição se realizaria. Você já pensou que não teriamos, de dois em dois anos, milhares de candidatos convidando você para, juntos construirmo um país melhor? Já imaginou o alívio?

Horários gratuítos de propaganda política seriam abolidos e substituidos por vídeos editados, mostrando nossas façanhas e servindo de exemplo para todo o mundo. Quais as nossas façanhas? Os gols mais bonitos, as jogadas mais empolgantes, tudo executado com o padrão de excelência FIFA.

Outra vantagem indiscutível seria a completa transparência, na corrupção. Nada de dinheiro em malas, cuecas e meias, nenhuma reportagem escondida mostrando pedidos de propina e seu respectivo pagamento. Não. A corrupção seria aberta, e, no Caderno de Encargos FIFA, seria obrigatória a publicação de um portal na Internet, mostrando para quem quisesse ver, os números da corrupção, os corruptos e corruptores. Ninguém precisaria renunciar, ser despedido, já calculou a economia para o País com o fim das CPIs?

Claro, não seria perfeito, nada é. O primeiro artigo do Caderno de Encargos FIFA, atrevo-me a sugerir, seria: Este Caderno de Encargos é flexível e pode ser modificado a qualquer tempo, de acordo com os interesses da entidade.

Assim, algo que não desse certo seria logo corrigido sem perdão, doesse a quem doesse.

É tão ampla a gama, o cabedal de vantagens decorrentes da minha idéia, que não caberia neste pequeno texto. Mas elenco aquela que julgo a mais importante de todas: Sua Santidade nunca mais pediria paz no mundo.

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