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14/03/2012 / Paulo Wainberg

Contrapoesia

Poesia é o lado aristocrático da palavra crua,

que se espalha nos bordéis, grosseira e nua.

Poesia é o lado fanático da palavra árdua,

que é lançada ao caos, sobranceira e tardia.

Ah, a palavra da poesia, recitada nos palácios!

Quanta falácia!

Enquanto aneis de vidro são fingidos amores,

repletos de flores murchas.

Ó,  poema assim desfeito,

trovejando pelas ruas,

escondendo o defeito de tantas mulheres nuas.

Sim, poesia, malfadada ilusão de mil suspiros,

enganando a lua cheia, nos matos e nos retiros.

Olha, poesia, rainha dos sanatórios,

Em qual dia deixarás os pássaros em paz,

as nuvens e seus assessórios,

corações flamantes e o tal instante fugaz?

Deixa, poesia, a verdade resplandecer,

admite que é tudo mentira, o alvor e o entardecer

e que a única Poesia, a Poesia pra valer

é aquela que acontece no momento de nascer.

 

One Comment

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  1. ana laura kosby / Fev 18 2013 17:14

    Este não li, ouvi. É poesia em voz alta!

    Gostar

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