Saltar para o conteúdo
21/12/2011 / Paulo Wainberg

Crônica antiga – Ninguém gosta de ouvir

Duvido, mas duvido mesmo, que algum homem jamais tenha utilizado serviços de uma prostituta. Mesmo que tenha sido uma unzinha vez, numa casa de tolerância (puteiros) que prefiro chamar de casa de intolerância, com uma das de rua, para um boquete dentro do carro ou uma de programa, chamada pelo telefone.

Em algum momento da vida de um homem, por curiosidade, por necessidade ou apenas para contar para a turma, ele pega uma garota de vida fácil e vai direto aos fatos.

Vida fácil é uma expressão a mais, a sustentar a inesgotável hipocrisia social e para sublimar o desejo reprimido de algumas mulheres de boa família (não todas) de, um dia, dar por dinheiro.

A minha dúvida não é terminal, talvez você seja um que jamais tenha feito isso mas vai ser difícil me convencer de que você está falando a verdade.

Se a minha premissa é verdadeira – e acho que é – como justificar que o prefeito de Nova Iorque tenha sido obrigado a renunciar por causa de uma prostituta, lindíssima por sinal, com quem desfrutou momentos pagos de sexo?

Abstraindo a questão da hipocrisia que os Estados Unidos cultivam como um imenso pomar de rabanetes (ou nabos), a única explicação consiste no fato de o Prefeito ser casado, embora, aparentemente, sua esposa tenha perdoado o erro.

Uso o exemplo para colocar a você uma questão transcendental que se aplica às relações entre homens com mulheres, homens com homens e mulheres com mulheres: Amor e Sexo.

É possível amar sem sexo? É possível sexo sem amor?

À segunda pergunta respondo, sem pensar, que sim. Desconheço qualquer estatística, mas aposto que a maioria das relações sexuais dispensam o amor e satisfazem necessidades e desejos puramente físicos, se esgotam em si mesmas, quase sem deixar marcas ou conseqüências, dependendo dos cuidados que você tomar.

Acho também que, de uma relação sexual pode surgir um grande amor, uma paixão intensa, um gostar para toda a vida.

Agora, amor sem sexo? Como é isso? De que tipo de amor estamos falando? É possível que um casal se ame, se curta, se adore, não consiga viver um sem o outro e, sexualmente, vivam insatisfeitos?

Sinceramente, acho que sim.

Não quero ser mais vulgar do que já fui, no início da crônica, mas às vezes temos que usar as palavras certas na hora certa: Tesão entre casais é uma coisa que diminui, diminui e, mais cedo ou mais tarde, acaba.

Não estou falando da questão hidráulica que envolve lubrificação, ereção, sucção e respingos. Isso é fácil de conseguir, basta apertar os botões certos, as reações físicas acontecem e, ao final, quando cada um vira de lado na cama, resta a tesão insatisfeita, um desejo residual e a falta, muito sentida, da exaltação, do orgasmo contundente, aquele que você conseguia anos atrás, com a mesma parceria.

Foi-se.

Falo de quando você está num lindo lugar, desfrutando as maravilhas da natureza, os confortos e as mordomias, satisfeito com o que está acontecendo e, ao mesmo tempo, sentindo falta da respiração ofegante, da aceleração das batidas do coração, sentindo falta da… paixão.

Você se pergunta: Onde está a tesão?

Você se consola: Aqui está muito bom mas… e a tesão?

Quem, eu pergunto, quem já não passou por isso?

Aquele seu conhecido que, há muito, atrai você, se estivesse ali, no lugar do seu parceiro, não faria seu corpo tremer?

Aquela garota a quem você olha todos os dias, de olhos grandes e lindas pernas, que serve seu almoço no restaurante, se estivesse ali, não seria uma grandeza? Uma loucura?

Acho, palavra de honra, que é hora de mudarmos nossos conceitos de fidelidade. A fidelidade não pode ser incondicional, há milênios que a humanidade sofre por causa disso. Devemos ser fiéis ao que sentimos e não cobrar fidelidade pelo que se esgotou em nós.

Acredite ou não, concorde comigo ou não, delete esta crônica, responda com indignação ou me ignore completamente, não adianta, você não vai escapar dessa: A melhor coisa que há no mundo é amor com sexo. Mas que é possível um sem o outro, juro pelas almas de todas as prostituas vivas ou mortas, pelos amantes de toda espécie, ordem ou natureza, que sim, é.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: