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04/12/2011 / Paulo Wainberg

Sobre a morte

Morreu Sócrates, o jogador de futebol. Morreu porque seu organismo foi destruido pelo álcool, do qual foi dependente por muitos anos.

Primeira coisa que pensei: Para ele o sofrimento acabou e para nós, não.

Com esta lógica fria, meu pensamento é relevante, isto é, a morte é o fim de todo o sofrimento. Funciona como uma falha na energia elétrica, neste instante há luz, no seguinte há escuridão.

Todas as angústias, medos, revezes, indignações e tristezas apagam, deixando aos vivos a árdua tarefa de entender e a fugaz sensação de saudades que o dia a dia trata de amortecer.

Porém, as coisas não são assim, tão friamente lógicas e há que pensar, nem que seja para continuar vivendo, que a morte apaga também as alegrias, as conquistas, os sonhos e o prazer. O falecido também perde esse manancial, deixa de aproveitar, sai de cena.

A fria lógica, inconformada, ataca novamente: O que é melhor para o falecido, deixar de sofrer ou deixar de aproveitar?

Minha resposta é definitiva para essa questão: Não sei.

Só conheço uma situação, durante a vida, em que ela vale à pena cem por cento que é quando se realiza plenamente a paixão.

Aí sim nós atingimos a plenitude da felicidade e parece que, yes!, é bom viver.

Mas… é tão fugaz, esse momento que se esgota em si mesmo e que o tempo se encarrega de amortecer que…

Bem, estou falando disto porque o Sócrates morreu e ele foi um cara importante e super conhecido. Entretanto tantos morreram na mesma hora que ele, e todos os dias, e a cada minuto do dia, que este assunto, sinceramente, nem devia ser mais assunto.

2 comentários

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  1. orlando pacheco / Dez 5 2011 13:37

    “A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

    .

    Conheço desde muito essa reflexão de John Donne, poeta inglês do século XVI, na verdade um belo verso de suas Meditações XVII que Ernest Hemingway deu destaque em seu livro Por Quem os Sinos Dobram.

    Este pensamentp me retorna nestas ocasiões….grande abraço Paulo

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  2. glenda avila / Dez 5 2011 13:59

    Não, não estás falando nisso só porque o Sócrates morreu. Estás falando nisso também por causa da paixão que, embora tenha seu tempo de vida pré-fixado como os juros de certos investimentos financeiros (dizem os livrinhos de psicanálise que não sobrevive a 2 anos, após o que transforma-se em outra coisa : indiferença, ódio , amizade e, mais raramente, amor) morre de 2 maneiras. Ou morre porque seu tempo de vida esgotou-se ou morre porque morre em nós a capacidade de paixão.

    Mas também fiquei triste com a morte do Sócrates.

    Bj
    Glenda

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