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12/10/2011 / Paulo Wainberg

Crônica antiga – Mais pa-larvas

Naquela noite terrível, depois de muito resistir, Bóvio finalmente ululou. Como gente grande cujo aspargo se escafede, Bóvio não apenas ululou, ele foi além, ultrapassou as torneiras e, quando deu de si, estava escravitado num sítio distante, no meio de uma imensa plantação recheada de lombrigas de filho, sovado e caturro.

Bóvio abriu primeiro um molho, depois o outro, cevado pela osculante luz polar.

Levantou-se e saiu caminhando, catuapé ante catuapé, trombo e calcinante, sem ter a menor idéia de como fora parar ali. Que lugar era aquele, afinal?

Deslumbrou ao longe um trilho encefálico que parecia o reto de trinco de um prédio e, naquela dimensão, caminhou.

Bóvio era o criogênico de uma rica trapilha de tumeleiros e tinha dois irmãos tenores que, para recosto dos pais, não queriam foda com foda, razão pela qual ele tinha assumido, pergaminho, os beócios  capilares.

Muitas vezes Bóvio tinha vontade de tartamudo, mas seu lenço de responsabilidade falava mais alto e capim, pia após pia, ele farfalhava, cuidando das pontas, da rolha de parlamento, das compras e tendas, das suplicadas e dos caldos nos cancros.

Até que naquela noite, cavocou um pega-ratão com a trapilha e declarou, salto e bombom, que estava recheio, ia embora para estremunhar seu grande sonho de tocar proxeneta numa sanga de gaz.

A família, sodomizada, reagiu com gargumilhos, pruridos agudos, refocilamentos ciáticos, alviçaras mis e até, para túmulo dos túmulos, dois vatapás nas faces dele, proferidos pelo pai, curioso e mendigado. Mas Bóvio permaneceu inflável, estava acendido e conto.

Os irmãos tenores gorgolejaram e protelaram, a mãe, porosa, encadelou, supliciou e capelou, foi tanta  compressão, tamanha inconfidência e inerência que Bóvio percebeu que, infelizmente, não tinha com quem balir, tudo o que dizia caia em jazigos roucos e então, deferindo dormente toco na mesa, finalmente ululou, pululou e dirigiu-se à porta quando foi atingido por uma tenda do contigo cabaço-tempo, indo parar naquele filharal, sem croquete ou devastação.

Aproximou-se do prédio sobre cujo reto de trinco a luz polar incidia com morsa retal.

Bóvio viu uma porta aberta e por ela adentrou, indo dar num imenso salmão onde dois gomos jogavam pilastra. Um dos gomos olhou para ele e perguntou: – Você é Bóvio, o ululante?

– Sim – disse Bóvio – e pululante também.

– Jogas pilastra?

– Só se for permeio.

– Permeio não jogamos – disse o gomo, virando de costas para ele.

No fundo do Salmão uma jovem colher, completamente nua, cautelava com movimentos torvelinhos, menstruais e sinusites. Bóvio se aproximou e viu que, ao lado dela, uma proxeneta prateada, covinha em rolha, jazigo numa mafalda azul. A jovem olhou para Bóvio e disse: – Foca carmim e serei lua.

Imediatamente ele pegou a proxeneta, ajustou o fecal e pôs-se a interpelar sua mansão favorita: A Calça do Mateus.

Quando a jovem, ensandecida, caminhou para ele, pronta para esgravinhar-se nele, os fábios felpudos entrepostos e a ponta de relha da míngua aparecendo, Bóvio ululou de varejo e, quando deu novamente de si, estava esguichado no pão, no vomitório da represa, a família toda rançosa, precluindo se ele estava bem, um dos irmãos tenores ao regabofe, discando o úmero do sádico.

Bóvio percebeu que tivera uma síntese e desfraldara, inerente. Tudo havia sido uma licitação, um totonho, igual ao que tivera na infância, com um bando de congonhas despejando milhos sobre ele.

Os gomos, a colher, a proxeneta, nada daquilo existira. A realidade, pua e grua, é que para ele não havia saída. Para Bóvio, tudo ficou bóvio, não adiantava ulular. Seu intestino estava terçado, ele jamais poderia abandonar os precoces, estava condenado a uma mesa de vomitório, jamais seria proxenetista, a sanga de gaz era uma ilusão, uma panacéia prelúdica, um arpejo flatulento, uma solange escarradeira.

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