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21/09/2011 / Paulo Wainberg

Crônica antiga – Lero-lero, blablablá e tititi

Quanto mais conheço os homens, mais gosto das mulheres.

Calma, é só uma frase como tantas outras que me ocorrem porque  meus parietais vivem em chamas.

O que significa parietais em chamas também não sei e não importa, a imagem é mais importante do que o movimento ou não teríamos inventado a máquina fotográfica. Um – contestador por natureza – irá me contrariar dizendo que o movimento é mais importante do que a imagem ou não teríamos inventado a máquina de cinema.

Que seja.

Ouvi no rádio o anúncio de uma funerária oferecendo serviços de cremação com qualidade e segurança.

Estanquei: a quem esses atributos favorecem, no ato da cremação? Ao público presente ou ao usuário propriamente dito?

A funerária está me garantindo que as chamas são de primeira categoria, superiores às chamas comuns produzidas por um fagulha ou um palito de fósforo? E também me assegurando que não arderei, não sentirei calor excessivo e que nenhuma gota de suor escorrerá de minha testa, durante a solenidade?

Deve ser isto.

Ou garante que o usuário do serviço será consumido por fogo celestial e não infernal e que não sobrará um único pedacinho de osso, dente ou fio de cabelo. Dele restarão apenas cinzas a serem cultuadas na urna de prata ou singelamente lançadas aos ventos, aos mares ou dentro da lareira.

Qualidade e segurança… Pois é.

Caso eu fosse mulher estaria dizendo que quanto mais conheço as mulheres mais gosto dos homens?

Duvido

As mulheres são unânimes em se considerar mais admiráveis do que os homens. É um ponto em que estamos de acordo mas não pelas mesmas razões.

As mulheres não carecem de homens para se sentirem admiradas. A admiração de outras mulheres é mais do que suficiente: que lindo vestido, como teu cabelo está bonito, que anel maravilhoso, onde compraste estes sapatos? Que maravilhosa advogada, psicóloga, arquiteta, engenheira, professora, executiva, chefe de repartição, bandeirante, amiga, confidente, dizem umas às outras. E se crêem mutuamente.

Quando um homem diz isto elas ficam com os dois pés para trás: o que este cara está querendo? O que foi que ele aprontou agora? Que safado, mente com a maior cara de pau, olha só que cínico, desde quando ele entende de vestidos, ele pensa que eu vou cair nessa dele elogiar meus olhos, se ele pensa que vai me levar para cama à base de elogios é um babaca, homem é bicho ruim mesmo.

Elas não acreditam nas nossas mais sinceras declarações e quando se confrontam conosco homens, partem da presunção absoluta de que nos consideramos superiores e confundem qualquer gesto de cortesia com indulgência e indulgência masculina é como ácido sulfúrico para uma mulher.

As minhas razões para gostar mais das as mulheres do que os homens são outras, bem outras. Não vou revelar porque não quero que me acusem de machista, porco e chauvinista, tarado, sem-vergonha, mau caráter e novamente tarado.

Mas é por aí…

Nunca diga dessa água não beberei.

Como não? Eu digo, sim senhor!

Me coloque diante de um esgoto e afirmarei, com absoluta convicção, que desta água não beberei. Nada, nenhuma força me fará beber a água daquele esgoto. Talvez um dia eu tenha que beber a água de outro esgoto, mas daquele, nunca.

O certo seria dizer: Nunca diga que daquela água não beberei porque aí você não sabe de qual água estamos falando, um belo dia, depois da hecatombe, sua pele se decompondo e louco de sede, você será capaz de beber qualquer água. Mas desta aqui, diante da qual ora me encontro, não beberei mesmo, nunca.

Quando um não quer dois não brigam também é uma grande falácia porque o que não quer, em geral, acaba apanhando.

Acho que só não brigam quando os dois não querem. Como eu nunca quero brigar nem estou a fim de apanhar, basta ver um brigão que saio de perto.

Uma vez eu quis brigar, ainda adolescente, trocando de roupa no vestiário. Um colega, amigo de verdade, de brincadeira me deu um tapa nas costas, mas tapa mesmo. A próxima coisa que me lembro era o resto da turma me puxando e quando vi o sangue que corria do nariz dele quis morrer, palavra de honra. Acho que nunca me senti tão mal, não podia acreditar que tinha feito aquilo. Sorte que ele aceitou meus trezentos pedidos de desculpas repetidos nos seis meses seguintes e continuamos amigos. Acho que a dor do tapa me tirou o controle e eu nem sabia que era tão maluco. Nunca mais e espero que nunca mais mesmo.

Quem é que tem um olho, em terra de cego? Honestamente? Pense bem antes de responder, faça um auto-exame físico, calcule quantos olhos você tem e concluirá  com absoluta certeza que não é o Rei.

A propósito, conheço uma pessoa que odeia nome feio em qualquer contexto. Quando ouve um simples “merda” ou um inocente “me fodi”, tapa o rosto, vira a cara e reclama, do alto de sua fingida inocência, que nunca pensou ouvir uma coisa dessas. Bobagem dela porque o palavrão é uma palavra como qualquer outra e, como qualquer outra, pode ser bonita ou feia, dependendo da situação: “eu te amo” dito pelo sujeito barranqueando uma égua transforma o verbo “amo” numa palavra feia. Pegar o gatinho no colo e dizer “eu te amo” e o verbo soa lindo. São duas situações que envolvem bichos, o amor está presente, é igual… mas não é a mesma coisa, provando que tudo é relativo e se você não entendia Einstein agora entende.

E a tal semana que vem que nunca chega?

“Semana que vem te ligo” e você não liga. “Vamos tomar um chope semana que vem” e não vão. “Semana que vem eu resolvo” e não resolve. “Semana que vem eu vou ao dentista” e não vai. “Semana que vem eu te pago” e não paga. “Semana que vem eu começo o regime” e…

Você já separou o joio do trigo? Eu já e só para contrariar, joguei o trigo fora e fiquei com o joio. Você sabe como é o joio, sua aparência e forma?

Pois é.

Sabem qual é a música perfeita da MPB brasileira? “Eu Sei Que Vou Te Amar”, do Vinicius.

Por que? Ora criança, porque saber que se vai amar alguém por toda a sua vida é a suprema glória de uma vida, seu fundamental sentido, uma certeza absoluta que poucos conseguem alcançar.

Encerrando esta conversinha quero fazer uma declaração bombástica, definitivamente profunda e que submeto à reflexão de todos:

Quanto mais conheço os cachorros mais gosto deles.

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