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10/06/2011 / Paulo Wainberg

Onde é melhor?

Certas coisas que me ocorrem são tão incompreensíveis que acho que os que me julgam maluco têm toda a razão.

Lembro de uma crônica, há anos, em que eu queria saber se, jogando um bloco de gelo na fogueira, o gelo derreteria primeiro ou a fogueira apagaria antes.

Hoje, outro desses pensamentos está incomodando meus parietais em chamas desde cedo: É que no hemisfério norte está começando o verão.

Fico pensando naquelas pessoas, americanos e europeus, totalmente iludidos com os dias quentes, tardes na piscina, passeios à beira do mar, drinques da estação, biquínis, sungas, noites estreladas, bares nas calçadas, em suma, acreditando que a vida deles está boa e que estão se divertindo.

Mal se dão contas que o futuro deles é, nada mais, nada menos, do que o inverno, o brutal inverno das nevascas, do frio abaixo de zero, dos aquecedores estragados e das lareiras que não esquentam.

Pobres diabos.

Nós, do hemisfério sul, especialmente os daqui do sul do Brasil, é que estamos bem, felizes com a nossa perspectiva, pois aqui começa, simplesmente, o inverno.

Temos pela frente toda a alegria do verão que chegará logo após a primavera, com seus perfumes, cores e alegria.

Está certo que, enquanto estou congelando de frio neste momento e um americano qualquer está tomando sol numa praia da Califórnia, é só ele parar um pouquinho para pensar e pronto! Lá se vai sua alegria, diante da perspectiva ameaçadora que tem pela frente logo ali, daqui a uns três meses.

Eu, por meu lado, quando sinto todos os músculos rígidos, quando mal consigo desencostar o queixo do peito, quando me encho de roupas, meias de lã, pulôveres e sobretudos, dou risada dos nortistas porque tudo o que eles acham que estão aproveitando agora, eu vou aproveitar daqui a alguns meses.

Convido você a fazer um esforço de imaginação: Coloque-se no lugar de sua amiga de biquini, nadando languidamente nas águas transparentes de uma piscina em Malibu, a pele dourada, os cabelos soltos, bebericando seu dry Martini, sabendo que em breve, muito breve, ela mal poderá sair da cama de tanto frio. Você ia querer isto para você?

Claro que não, respondo com convicção. Seu nariz está vermelho devido ao vento gelado que faz também seus olhos lacrimejarem, é verdade. Para digitar com luvas é difícil, e tomar o café da manhã é um ato de heroísmo que começa no momento de sair de baixo das cobertas. Porém… Ah, porém! Seu futuro é radiante e radioso, as mulheres do norte pensam que estão usufruindo as boas coisas que estão reservadas para você, enquanto que para elas… bem, eu não ia querer estar no lugar delas.

Como eu falei – e lealmente avisei no início – certas coisas que me ocorrem são de olhar de lado, sair de baixo e se esconder no banheiro.

Francamente!

2 comentários

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  1. Dulcina Machado de Souza / Jun 11 2011 11:07

    Gostei muito desta crônica…. parabéns Paulo Wainberg!!!!!

    Gostar

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