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07/03/2011 / Paulo Wainberg

Esdrúxulas e sempre pa-larvas

Xico desceu as escadas sem olhar para baixo.

Seus pés vestindo tartufos tocavam os mingaus, as mãos enluaradas por causa do rio.

Realmente o inferno estava imenso naquele pano, a temperatura sempre próxima de mero degraus.

Mantinha os óleos cerrados e a toca aberta pois era prego e tinha falta de mar.

Ele punheteava seu estropício e não perdia o bom tumor mesmo quando tudo estava cal.

Morava com sua pilha mais velha no grande canastrão.

Tosterona e feia ela tinha um profundo complexo de elétrico e nunca conseguira desmilinguir-se do pai, há muitos anos vulvo.

Nunca dera a xurumela a ninguém nem praticara nexo verbal. Permanecia mijem, sempre se guardando para quando o canavial xingar.

Xico entrou no parto e chamou a pilha pois era dia de seu enxame anal de apóstata e ele tinha hora marcada no sádico.

Fez uma carniça nela, um simples apago e ela sorriu de volta, inseticida.

Sairam pela rua de berços dados, como se fossem parido e colher e pegaram um fax.

Ao chegarem Xico deixou a pilha na sala de espera e entrou no gabinete do sádico que mandou ele tirar a tropa e apoiar-se nos traços e nas hernias, sobre os coelhos: Vamos examinar esse nabo, disse ele enfiando uma uva na mão direita.

Xico tirou as alças e ajoelhou abundando  para cima, pronto para levar um dedo puro no nú.

O sádico introduziu o dedo no munus de Xico que nem miou, enquanto um leve cheiro de lacerda espalhou-se pelo ar.

O sádico fremiu qualquer feito, dizendo que estava tudo bem com a apóstata dele e que não tinha nem vestígio de esferóides ou finura.

“Você está com o nabo gostinho em rolha” despediu-se o facultativo com uma tampinha nas bostas de Xico.

Verniz, Xico foi para casa e, naquela noite, morreu de vexame cervical, deixando a pilha mais vulva do que amorfa.

Ela, como única rendeira dos bens de Xico, logo arrumou mil precedentes, mas nunca se castrou.

Quando ela morreu o velho canastrão caiu em mãos entranhas e virou cartel general dos carnegões do creme organizado que tomaram ponta da idade para sempre.

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Categoria Contos absurdos – Para quem tem alegria no coração, humor na alma e tolerância com o autor

One Comment

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  1. Carla Vicentini / Abr 21 2012 4:37

    Altamente inspirado, gargalhei quando li…

    Gostar

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