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10/12/2010 / Paulo Wainberg

Homofobia

Não há século sem um mal.

No XIX, a tristeza e a melancolia a se expressar nos poemas candentes, de amores impossíveis por mulheres, amadas e inatingíveis.

No XX, a depressão, a enriquecer psiquiatras e fabricantes de remédios antidepressivos e tranquilizantes, a gerar o consumo de drogas e, pelo lado positivo, a se expressar na música pop, na geração beat e na majestosa evolução tecnológica.

Para o século 21 apresentam-se vários candidatos, dentre eles, despontando, a homofobia.

Millor Fernandes, antológico, declarou que a maior tara sexual que ele conhece é a abstinência.

Apresso-me em declarar que, para mim, a segunda pior é a homofobia.

Simplesmente não entendo o motivo de algumas pessoas se agruparem em movimentos anormais, para odiar, discriminar e perseguir homossexuais.

O que essa gente tem a ver com a vida dos outros? Bandos delinquentes saem à ruas para espancar pessoas apenas porque elas pertencem ao terceiro gênero da espécie humana, tão normal quanto os outros dois e co-existente desde os primórdios da espécie.

A classificação científica – e homofóbica – atribui dois gêneros à espécie humana: feminino e masculino. Ignora, a ciência, o homossexualismo como gênero, o que, para mim, é um erro e uma discriminação.

Não se pode confundir homossexualismo com atividade sexual porque, como sabemos, no íntimo da intimidade o sexo se faz movido por razões próprias, inexplicáveis e de acordo à satisfazer desejos do momento.

Entendo que, além da constituição física, o que define o gênero de uma pessoa é a sensibilidade nata, com a qual ela encara a Natureza.

É esta sensibilidade que insere cada um no Universo, faz com que o indivíduo se comunique, emocional e fisicamente com ele e com tudo o que ele tem a oferecer.

Homens, mulheres e homossexuais, assim definidos não por opção mas em razão da condição, natural e aleatória, do nascimento, expressam-se na Natureza movidos pela respectiva sensibilidade, física e psíquica, que define seus caminhos e os conduz para ocupar suas vidas da forma mais prazerosa possível.

Esta mesma sensibilidade condiciona o psiquismo ao valor da vida, isto é, ao que mais entristece, mais alegra, mais motiva, mais incomoda e, sucessivamente, no contexto geral da existência.

Por que ser contra ou a favor disto?

Por que negar a Natureza, tal como nela somos colocados, como se fôssemos donos de nossos destinos, como se realmente tenhamos uma escolha?

É por isto que incluo a homofobia no rol hediondo dos sentimentos racistas, os quais, graças à razão, conseguimos controlar em grande parte.

Não canso de dizer que o racismo é um sentimento humano, esdrúxulo mas existente. E que ele se expressa pela discriminação.

E a discriminação é uma das mais hediondas ações humanas, crime consagrado na maioria dos códigos penais e que merece as mais severas punições.

Discriminar a preferência sexual alheia, o gênero, a cor, a origem, em suma, a condição humana alheia, é dar vazão ao pior que existe dentro de cada um de nós, é liberar o monstro insaciável de destruição que existe em cada mente humana.

Minha palavra é: deixem os homens em paz, deixem as mulheres em paz, deixem os homossexuais em paz.

Cada um é como é, cada um vive como quer ou como pode, cada um, cada um.

E estes que aí estão, denominados homofóbicos, a atacar pessoas, que perguntem a si mesmos qual a razão de tanto ódio, qual íntimo temor os leva à odiosa discriminação.

Que se perguntem de quem é, mesmo, que eles querem escapar.

One Comment

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  1. Daniel Marion / Dez 12 2010 10:15

    Como sempre, de agudeza e clareza impressionantes! Gde Abraço Daniel (Jaguariúna)

    Gostar

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