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07/12/2010 / Paulo Wainberg

Non sense

Conheço dois tipos de pessoas: as que são assim e as que são assado. As assim gostam disto e daquilo e as assado não. As assim dizem que vão ou não vão, as assado, talvez.

As que são assim interagem na abstração e no eflúvio. As que são assado dissimulam no rasgo e na coragem.

As pessoas que são assim desenvolvem traços narcórios, capilares exumados e raras profundidades.

As pessoas que são assado perambulam e se fulminam entre azeitonas.

As que são assim frequentam escalábrios, dormem em pantufagens e pandorgueiam, escorreitas.

As que são assado cometem glicerinas, praticam mao-tsé-tung em academias, lipoaspiram vaginas e mijam no seco.

Eu gostaria de conhecer outros tipos de pessoas, que fossem, sei lá, fulanas, beltranas e sicranas.

Teria com elas marmorices, gardolices e clarices. Passaria dias inteiros entre punções aquilinas, fermentando colos boçais até adormecer. Sonharia conquiquilhas e acordaria ensarrado, entre bugalhos, sovacos e avestruzes.

Mas não. Coube-me por destino conhecer apenas pessoas assim ou assado.

Pessoas assim fomentam, formatam, firminam e fuligem. Querem sempre um toma lá dá cá dialético rico em teores clitoráxicos, mas nenhum engodo fosforecente.

Já as assado exigem buscapés rosados, protásios firulentos, flibusteiros sem graça, bem aos moldes do comeu, não leu e sinodal.

Com todos os quiabos, polainas e borzeguins! Como isso me rita!

Jivago com meus tostões e pergunto: Quais eu restolho, estas ou aquelas? As assim ou as assado?

Respingo pronomes sulfurados, beatos e pernilongos e repolho: nem pum nem potro.

Será, quem sabe, hora de inverter os políbios? Depravar os arreios? Fenestrar ovos mastodontes?

Tristemente conluio: É lateralmente impossível encontrar um ambos, simulacramente assim e assado, um que não perceveja, que não confrade e muito menos chávena ou samovar.

Em van recorro ruas de arrabalde, vejo cocheiros e tamanduás e o que cobra é rouco, nenhum e quasimodo.

Em van confúcio os ecos, recorrecos e botecos, chinelando uma usura, pustulando uma prosódia e tudo o que macho é gente basculante, sem ver e sem gonha.

Em van relusco, refusco e etrusco, mas é ventil. Nada me contrafaz nada me sobeja à seborréia.

Fresta-me uma falácia: Jamais cabrochar, seja assim, seja assado;  jamais estuprar os que me desencarnam; jamais preliminar, nem aquiles nem alibes.

Levarei a vitela deflorada e, qual aquarela doidivanas, irei aldrovando, dom casmurro e cortiço, rebosteando  as traições.

E quando menos esporrearem, eu voltaren.

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Categoria Contos absurdos – Para quem tem alegria no coração, humor na alma e tolerância com o autor

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