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27/05/2019 / Paulo Wainberg

CEGUEIRA

Dizem que o mundo vai acabar. Tolos. Não viram que já acabou.

20/05/2018 / Paulo Wainberg

OSMAR SAI DO LIMBO

Osmar, você sabe, é meu correspondente que não responde nem corresponde. Tem cerca de sessenta anos, cabelos grisalhos e ralos, barriga em evidência e trocou a cerveja pelo uísque porque, segundo ele, cerveja incha.

Apesar da inúmeras cartas que lhe enviei, jamais respondeu e, se respondesse,  seria a prova cabal de minha esquizofrenia porquanto ele não passa de um personagem que inventei.

Devido ao seu altaneiro e insistente silêncio, resolvi colocá-lo no limbo, mas hoje vou tirá-lo de lá porque a situação ficou insustentável, assim como está não dá, não dá mais, francamente!

E chega de introitos, vou logo à carta de hoje:

Prezado Osmar. Espero encontrá-lo em perfeita saúde e todos os seus.

Desejo convictamente que você me responda ou irei colocá-lo no limbo outra vez e, desta, para sempre.

A questão que me aflige e para a qual imploro sua ajuda é a seguinte: Quando os políticos de todos os níveis falam a palavra “povo”, a quem estão eles exatamente se referindo?

Por acaso dirigem-se à uma multidão disforme, sem cara nem corôa? Ou à uma classe social branca e de olho azul? Ou aos miseráveis dos canteiros do país, onde um pedaço de casca de pão representa a sobrevivência do dia?

Quando eles falam que “o povo” deseja isto ou aquilo ou aqueloutro é porque são dotados de poderes ultrassecretos, supra sensoriais e até mesmo exotéricos para revelar tantos sentimentos? Ou estão disfarçando – para não dizer mentindo – para conquistar simpatia e, no jargão do populacho, angariar votos?

Será que o “povo” quer o fim do homossexualismo e o início de uma ditadura de direita? Ou será que o “povo” deseja trocar seu coração pelo de um outro, um único outro, que se imagina ser uma ideia e não um ser humano?

Para mim – e digo isto mandando a modéstia às favas, como diz o ministro – “Povo” é o conjunto de pessoas que habita um mesmo território e formam, assim, uma nação. E deseja individualmente apenas viver a respectiva vida sem ninguém a lhes dizer o que é bom ou ruim, o que é certo ou errado.

Posso estar equivocado, mas quem jamais se equivocou que jogue a primeira lâmina de barbear vencida no lixo.

Concluo, estimado Osmar, com a renovada esperança de receber sua resposta esclarecedora para que, graças a ela, eu finalmente possa saber se sou ou não sou membro do “povo” dos políticos e num e noutro caso, decidir se eles sabem mesmo o que eu realmente desejo.

Com o abraço de sempre, eternamente seu

Haroldo.

 

02/08/2019 / Paulo Wainberg

DÚVIDA CRUEL

Largue ia bebida, o sexo, o Rivotril,o cigarro e o carnaval.Cruzes.Como estou normal,Devo ir para o convento ou para o manicômio????

18/05/2018 / Paulo Wainberg

CHUVA

Chove em Porto Alegre, esta cidade que já foi minha e que hoje é de ninguém.

Em dias assim, caminhar é bom, sentindo os sapatos umedecendo nas águas do chão (que com certeza lavaram o sangue de alguém) e os guarda-chuvas flutuantes cobrindo rostos e igualando todos, uma terra de guarda-chuvas cobrindo seres que pensam em uma tarde na cama, com vinho e com a pessoa amada ao lado, tudo menos estar ali, no ponto de ônibus que chegará esparramando água e condensando gente.

Gosto de ver os prédios lamurientos e as árvores lacrimosas e é quando penso que o céu está chorando, vertendo suas lágrimas de pesar sobre a Natureza, para que Ela saiba que há quem a pranteie, que há quem a banhe e que Ela não está sozinha neste Universo.

Mas eu me sinto só e, em dias assim, gosto da minha companhia, gosto de estar comigo mesmo, alegre com o dia que parece triste e que, na verdade, brilha a não mais poder.

Quando a chuva cai, não há mais tempo nem espaço, nada a perder e, a ganhar, a água celestial que lava meu rosto, me torna belo, forte e eterno.

21/12/2017 / Paulo Wainberg

Gilmar

O Ministro Gilmar Mendes, seja por birra seja pelo beicinho, está fazendo no Supremo uma operação padrão: Cumprindo literalmente o que determina a lei e a constituição.
Podemos não gostar, pois nosso desejo é ver todos todos os corruptos presos. Mas a lei é para todos e, até agora, as decisões dele foram baseadas na lei.

30/10/2017 / Paulo Wainberg

Teste

teste apenas um Teste

30/08/2017 / Paulo Wainberg

Silogismo introspectivo

Eu só me sinto bem quando estou bêbado.
Eu nunca estou bêbado.
Logo, eu nunca me sinto bem.

24/08/2017 / Paulo Wainberg

O que serei

O que serei? Uma bolha no tempo? Uma rolha na garrafa? Uma folha no jardim? Perguntas, perguntas que não tem fim, respostas que fogem de mim.
Mas agora já sei: Uma bolha não sou, talvez uma rolha. Uma rolha não sou, talvez uma folha. Uma folha não sou, talvez uma escolha que não passeia pelo tempo, que não tampa uma garrafa, que não conhece um jardim.
E, assim, o que serei? Provavelmente um sem reino Rei.

21/08/2017 / Paulo Wainberg

POEMA DE PÉ QUEBRADO

Foi numa pedra que ele tropeçou
e seu tornozelo logo inchou.
A ambulância para o hospital o levou
e a Ressonância logo diagnosticou:
Foi mal, o tornozelo quebrou.

15/08/2017 / Paulo Wainberg

Meio a meio

Para certas pessoas o ontem não existe. Para outras, não existe o amanhã. Eu me situo entre ambas.

09/08/2017 / Paulo Wainberg

Ou não?

É mais fácil acreditar numa mentira do que numa verdade,

20/07/2017 / Paulo Wainberg

Se eu fosse

Se eu fosse Deus recolheria todo o mundo de volta ao Jardim do Éden, nós juntinhos, peladinhos, falando com os bichinhos, comendo amoras e jaboticabas e, de vez em quando, para apimentar as relações, uma que outra maçã.

12/07/2017 / Paulo Wainberg

Poder

Excluindo a abstinência sou capaz de resistir a todos os vícios.

23/05/2017 / Paulo Wainberg

A lógica do paradoxo

Lula, Dilma e o PT estão falando a verdade.
Os outros estão mentindo.
Eu pertenço aos outros.
Logo, estou mentindo.

Temer, Pmdb, Psdb e outros estão falando a verdade.
Os outros estão mentindo.
Eu pertenço aos outros.
Logo, estou mentindo.

Como se vê, a lógica não falha. Há um imensurável manancial de mentirosos neste país, todos com o propósito único de prejudicar politicamente nossos mais expressivos políticos, para que, através das mentiras, sejam prejudicados em seus interesses eleitorais.

Temos que aceitar tais fatos sob pena de falirmos a nossa política e termos de reconhecer o fato de serem nossas instituições, isto é, os Três Poderes da Repúblicas, corruptoras e corruptas o que é inaceitável na democracia e no Estado de Direito.

Para melhor entendimento, o raciocínio oposto ficaria assim:
Lula, Dilma e o PT estão mentindo.
Os outros estão falando a verdade.
Eu pertenço aos outros.
Logo, estou falando a verdade.

Temer, o Pmdb e o Psdb estão mentindo.
Os outros estão falando a verdade.
Eu pertenço aos outros.
Logo, estou falando a verdade.

Este é o raciocínio inaceitável, o que levaria nossos líderes, nosso Congresso e nosso Judiciário ao fundo do poço, local onde costumam se encontrar as podridões, a nojeira, a falsa impunidade e a riqueza obtida de forma ilícita.

Não estou aqui para pedir a sua opinião, muito menos o seus delírio. Pense e sinta como melhor lhe aprouver e vá dizendo barbaridades por aí, sobretudo sobre assuntos que você não entende nem pretende entender.
Eu, por minha vez, vou dizer o que penso, mesmo que ninguém tenha me perguntado e, sobretudo, não está minimamente interessado.
Acho que o Brasil está vivendo o pior paradoxo que um país pode enfrentar: Todos mentem e todos dizem a verdade.
Ao mesmo tempo.
Todos tem razão e ninguém tem razão. Ao mesmo tempo.
Todos lucraram e todos perderam. Ao mesmo tempo.
É aí que você, o único que está lendo este longo texto, iria me perguntar: – Mas como isto é possível?
E então eu responderia, de forma altaneira, descomprometida e honesta: – Não sei.
Mas de uma coisa eu sei – e não é privilégio meu, todos sabem – e que talvez seja a origem desse inexplicável paradoxo: Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são CORRUPTORES, na medida em que oferecem um manancial de privilégios aos seus membros. Para demonstrar, apenas dois exemplos: passagens aéreas de graça e auxílio moradia.
Seguindo a lógica, quem ingressar num desses três Poderes já está sendo corrompido pelas vantagens das quais serão beneficiários e irão usufruindo ao longo dos anos de inclusão. Corrompidos ‘legalmente’, nada mais simples do que se corromperem a rodo que, ao fim e ao cabo, acontece.
Como não estou aqui para convencer ninguém, nem mesmo você, o único que está me lendo, vou parando por aqui e com uma única certeza que, de certa forma me apavora: Nenhuma democracia é boa quando suas instituições são corruptoras e corruptas.

10/05/2017 / Paulo Wainberg

Ausente

Entre nós falta uma crase.

02/05/2017 / Paulo Wainberg

STF

Supremo Tribunal Federal onde os dilemas de interesse nacional são resolvidos em esquemas de fundo de quintal.

20/04/2017 / Paulo Wainberg

Amor?

Amor, essa coisa tola que se transforma em horror e nos esfola.

20/04/2017 / Paulo Wainberg

Para uma nova Democracia

Esta educativa coluna jamais deixa de investigar profundamente as grandes questões da Humanidade. Nosso esforço é contínuo, não tergiversamos nem transigimos com a verdade.

Sendo assim fomos pesquisar, nos alvores da Democracia praticada no Ágora da antiga Grécia no intuito de descobrir o que, afinal, deu errado nessa forma de governo tida, pela Civilização culta, como a menos pior dentre todas as outras possíveis.

E, finalmente, descobrimos a resposta, localizamos a verdade e temos as condições necessárias para oferecer a solução definitiva para todos os problemas da Democracia.

Como se sabe, o princípio democrático cultivado e sempre adotado é o de que a maioria vence, quando se trata das decisões essenciais, seja nos âmbitos governamentais, seja nos âmbitos privados da sociedade civil.

E nisto reside o erro pois houve quem disse, e disse muito bem, que toda unanimidade é burra e (acrescento eu) toda a maioria é inconsequente.

Ipso facto, solucionamos o dilema oferecendo a alternativa jamais antes cogitada, neste país ou em qualquer outro. Estabelecemos que a forma democrática perfeita para as decisões consiste na vitória das minorias.

As maiorias serão derrotadas e as minorias serão vitoriosas.

Para que a solução não fique no plano apenas das ideias, oferecemos um exemplo prático do funcionamento do novo sistema democrático.

Imaginemos o congresso brasileiro, formado pelos (argh) senadores e pelos (eca) deputados federais.

A proposta em discussão é a anistia geral e irrestrita, a criminalização da Lava Jato e o voto em lista puro e simples.

A grande maioria é a favor e a minoria é contra.

No novo modelo, a minoria vencerá e nenhuma dessas propostas será aprovado.

O que fazem então nossos (putz) congressistas?

Simples, mudam de lado, aderem a minoria em quantidade suficiente para que a antes maioria torne-se, subitamente minoria.

Posta a proposta em votação, quem antes era minoria e agora é maioria, vota contra.

A maioria, que agora é minoria, vota a favor.

E assim, dentro da legalidade, com respeito às Instituições, à Ordem Jurídica e ao Estado de Direito, as propostas são aprovadas pelo minoria, transformam-se em lei de efeito imediato e, graças a Deus, cumpriu-se a Lei.

Nessa Democracia ideal, sempre que quisermos algo, devemos apoiar inicialmente a maioria que, rapidamente se transforma em minoria e votará a nossa favor.

E os ideais de nossos (que asco) políticos, sempre voltados para o bem estar da Nação e suas corporações, será plenamente atingido eis que estão eles, integrantes do corrupto congresso nacional, vocacionados para obter as próprias vantagens que, endemicamente as Grandes Instituições Nacionais, O Poder Executivo, O Poder Legislativo e o Poder Judiciário generosamente oferecem, a começar pelo direito a passagens aéreas de graça, moradia de graça, auxílios, carros, presentes e, por que não dizer, dinheiro para a alimentação e a terminar numa grande festa palaciana repleta de tudo do bom e do melhor e que, democraticamente, o povo brasileiro paga com desvelo e prazer.

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18/03/2017 / Paulo Wainberg

Perigos

Não há, na Natureza, nada mais terrível e perigoso do que a mente humana.

15/03/2017 / Paulo Wainberg

Perdão

PERDÃO, coisa que só existe para quem acredita em religião.

14/03/2017 / Paulo Wainberg

JUSTIÇA

JUSTIÇA, quem busca, quem quer e quem puder, paga o preço e é mencionado na missa.

08/03/2017 / Paulo Wainberg

Polêmicas

Desde o impeachment, abandonei as polêmicas, porque polemizar é dizer o que se pensa e não concordar com o pensamento do outro.

27/02/2017 / Paulo Wainberg

Virtude

Diz-se que, graças a VIRTUDE, lamenta-se na velhice o que não se fez na juventude.

26/02/2017 / Paulo Wainberg

Entrância

Fantasia e realidade, uma não cabe na outra e se cabia agora é tarde.

24/02/2017 / Paulo Wainberg

Vontades

Desde criança, eu não queria ser nem engenheiro nem dono de farmácia. Graças a Deus realizei esses dois sonhos.

21/02/2017 / Paulo Wainberg

Incógnita

Sempre acreditei que o que era bom para mim aconteceria. O que nunca consegui foi decidir o que é bom para mim.

19/02/2017 / Paulo Wainberg

Fim do amor

Quando o amor desaparece, duas coisas acontecem: Um carro cruza o sinal vermelho e uma goiaba podre cai do galho.

Quando  o amor termina, várias coisas acontecem: O papa pede paz, a plateia pede bis, o menino escapa por um triz, a professora deixa cair o giz, o político foi corrupto porque quis, o povo quase não tem raiz e todos fodem o país.

Quando o amor acaba dez mil coisas acontecem: O ônibus está lotado, alguém senta no seu lugar marcado, o filme foi mal filmado, o bife vem mal-passado, alguém falta ao encontro marcado, o prefeito está desolado, um prédio desmoronado, um luar enluarado.

Quando o amor fenece, sei lá quantas coisas acontecem: O sorvete vem derretido, você anda mal vestido, quase nada faz sentido, teu pé está fedido, uma puta dor de ouvido, o jardim está florido, você reclama e é agredido, no governo só tem bandido, são onze horas e seu filho ainda está dormindo.

Quando o amor chega ao fim, coisas acontecem enfim: alguém compra um carro usado, duas bombas explodem no shopping center, duzentos morrem no desastre de trem, os oceanos sobem de nível, o time perde o campeonato, milhares ficam de luto, o motorista fica puto, um rock em alto volume, a maçã podre infecciona as irmãs, terminou o gaz, faltou luz em cinco  bairros, o calor é de rachar, o frio é de matar, centenas dizem sim, centenas dizem não, a policia enfrenta a multidão, vândalos pedem bis, o terrorista escapa por um triz, a criança não fez o que quis, o político fode o país, o papa ora pela paz e a professora recupera o  giz.

Quando o amor desaparece é só isto que acontece e o resto, não interessa.

24/01/2017 / Paulo Wainberg

Confúcio

Pergunta jamais feita por CONFÚCIO: Afinal de contas, meus filhos, para que serve o prepúcio?

18/01/2017 / Paulo Wainberg

Carinho

CARINHO. Começa pelos dedos, sobe pelos braços, continua na boca e se completa no ninho.

15/12/2016 / Paulo Wainberg

Navio Dezembreiro

Estamos em pleno Dezembro.

O vento e o mar, às vezes calmos, às vezes furiosos, carregam nossas naus, nossas vidas, rumo aos desconhecidos futuros da existência.

Bandeiras evocativas tremulam nos mastros, enfeitando velas enfumaçadas pelas neblinas e pelos próprios eflúvios, enquanto vemos, bem longe ao fundo, o porto que acabamos de abandonar e mostram, à frente, novos horizontes, novas conquistas, novas esperanças.

Mas…. Como?, qual magia dos destinos está adulterando nossa rota, as bússolas girando como agulhas gigantescas nas mãos de um psiquiatra, perfurando nossa pele, nossas veias, nossos olhos?

Ó senhor deus dos desgraçados!!! Como permitis que assim vagabundos, o novos horizontes voltem-se para trás, anunciando velhos portos, velhas origens, velhas falésias e mares arrendondados cujas frestas, escaninhos e escárnios, estamos cansados de conhecer?

Proeiros da nau maldita, voltamos os olhos para nosso Capitão, aquele que jurou nos livrar do mal eterno e que, agora, nos conduz às origens, punindo nossas mazelas como se já, há tanto e tanto não fôramos punidos.

Senhor deus dos infortúnios, dize-nos como alterar a rota, como repreender o comandante que nos conduz às antigas tragédias do mal vestir, do mal comer e do destino inócuo, sem amor e sem paixão, aquele destino insensato que para nós determinastes como a erva daninha que corrói o tronco de nossas árvores mais robustas!

Estamos em pleno Dezembro, quando luzes alvissareiras anunciam o melhor futuro, o  Natal dos presentes e das comilanças, das especiarias radicais e dos bonecos exóticos, o Natal das crianças enfeitiçadas que vislumbram mágicas renas voadoras e a figura bonachona de um ser inexistente, um gordo barbudo vestido de Coca-Cola carregando um saco de presentes que jamais lhes serão dados.

Estamos em pleno Dezembro e o vento e os mares às vezes são calmos, às vezes são furiosos, a conduzir nossa nau, nossas vidas, para futuros melindrosos que pouco diferem de nossos passados tristes, lacrimosos e perdulários.

Nossa proa aponta para o novo horizonte que, por magia insidiosa do destino, nos oferece os mesmos antigo portos onde cansamos de aportar, onde cansamos de apoderar, bebendo até cair, nas ruas escuras do cais.

Senhor deus dos iludidos, como podeis nos enganar com luzes coloridas dos fogos de artifício, garantindo que amanhã será tudo melhor, que basta esperar um minuto e o mundo será feliz, alegre, em paz e benevolência?

Sim! Estamos em pleno Dezembro, os ventos e os mares correm tranquilos e tortuosos e nós, os proeiros de nossa grande nau olhamos, patéticos e esbugalhados, parati o grande capitão que, olhar posto nas ondas longínquas que virão, suas mãos fortes comandando o grande timão do destino, apenas nos grita ordens para mudar a posição das velas, desenrolar as cordas da embarcação e manter o prumo, nos conduz ao que já sabemos, nos leva de volta ao já vivido e nos indica, com um dedo erguido para os céus tenebrosos, que nossa única esperança, a única que resta, é que não naufragaremos, desde que permaneçamos os mesmos, os  mesmos que somos desde o dia em que nascemos.

E se um de nós ousar, se um de nós erguer os olhos em desafio, todos pagarão o preço da desobediência e, ao voltarmos para o antigo porto, como é inevitável, todos sofrerão as punições previstas, nos velhos e nos novos Livros.

 

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